Publiquei recentemente no LinkedIn uma análise sobre segurança no varejo que gerou grande repercussão entre gestores do setor. O artigo destacou dados alarmantes do relatório The Impact of Retail Theft & Violence Report 2025, da National Retail Federation (NRF), revelando um crescimento de 19% nos incidentes de furto nas lojas americanas.

Aqui, expandimos essa discussão com uma abordagem mais prática e técnica, explorando como a tecnologia pode transformar a segurança no varejo de um centro de custos em um motor de proteção de rentabilidade.

Listei algumas soluções concretas que grandes redes já utilizam para enfrentar esse desafio crescente, incluindo sistemas integrados de prevenção de perdas que conectam dados, dispositivos e equipes em tempo real.

Por que a segurança no varejo deve ser prioridade estratégica em 2026?

A segurança no varejo deixou de ser apenas uma questão operacional para se tornar um fator crítico de rentabilidade. O relatório da NRF demonstra que varejistas norte-americanos enfrentam aumentos significativos em diversos tipos de furto: roubos na cadeia de suprimentos, furtos, fraudes digitais e crimes por reincidentes. Quando executivos de grandes redes foram questionados, apontaram como maiores ameaças: o crime organizado, furtos com reincidência, golpes telefônicos, fraudes em devoluções e crimes com cartões de crédito.

No Brasil, embora não tenhamos estudos tão abrangentes, os dados da ABRAPPE confirmam um crescimento constante das perdas no varejo.

Considerando nosso contexto socioeconômico, legislação com punições menos eficazes, baixa frequência de inventários e adoção ainda limitada de tecnologias de prevenção, é razoável supor que nossos índices sejam ainda mais preocupantes.

Por isso, 2026 precisa marcar uma transformação: colocar a prevenção de perdas no centro do planejamento estratégico, com KPIs de segurança no varejo entre os indicadores mais relevantes para avaliar a performance do negócio.

Quais tecnologias de segurança no varejo os líderes globais estão implementando?

Os varejistas americanos estão investindo pesadamente em tecnologia para combater perdas. Segundo a pesquisa da NRF, 100% dos entrevistados manterão ou aumentarão investimentos em software para redução de furtos e hardware de segurança. As principais áreas de investimento incluem medidas de segurança externa (57% aumentarão investimentos), medidas internas (50% aumentarão) e sistemas centralizados de monitoramento (46% aumentarão).

Entre as soluções tecnológicas mais eficazes estão:

  • Sistemas de proteção eletrônica de mercadorias (EAS), que utilizam antenas e etiquetas inteligentes para criar barreiras invisíveis de segurança.
  • Plataformas de inteligência artificial e IoT, como a Darwin, integram múltiplas fontes de dados para identificar padrões suspeitos e gerar alertas em tempo real.
  • Câmeras inteligentes com análise de comportamento, sensores de movimento e sistemas centralizados de CFTV permitem monitoramento remoto e resposta rápida a incidentes.

A chave está na integração: sistemas isolados geram dados fragmentados, enquanto plataformas unificadas transformam informações em decisões acionáveis para proteger a rentabilidade.

Como redesenhar operações para reduzir perdas sem prejudicar a experiência do cliente?

A segurança eficaz no varejo não deve criar atrito para clientes. Varejistas de sucesso estão adotando estratégias que equilibram proteção e experiência de compra. O redesenho de layout inclui posicionar produtos de alto risco em áreas de maior visibilidade, criar zonas de controle natural através da disposição de gôndolas e utilizar iluminação estratégica para eliminar pontos cegos.

A tecnologia deve trabalhar para que produtos permaneçam acessíveis para experimentação, mas protegidos contra furtos. Sistemas EAS como os oferecidos pela Inwave utilizam etiquetas eletrônicas que não interferem na aparência dos produtos, mas criam uma camada de proteção invisível.

Essa abordagem resolve o "Atrito de Exposição", fenômeno onde medidas de segurança excessivas interrompem a jornada de compra e reduzem conversões. Ao combinar tecnologia inteligente com design de loja estratégico, é possível proteger margens sem sacrificar vendas.

Qual o papel do treinamento de equipes na segurança no varejo moderna?

Tecnologia sem capacitação humana é investimento desperdiçado. A pesquisa da NRF mostra que 45% dos varejistas americanos aumentarão investimentos em treinamento de equipes para detecção e resposta a furtos. No Brasil, enfrentamos uma escassez crescente de profissionais especializados em prevenção de perdas, segurança e operações.

Programas de capacitação eficazes devem incluir reconhecimento de comportamentos suspeitos, com treinamento para identificar padrões de furtantes recorrentes e crime organizado. Protocolos de resposta definem ações claras e seguras quando incidentes ocorrem, enquanto o uso de tecnologia ensina equipes a interpretar alertas de sistemas e utilizar plataformas de gestão.

A criação de cultura de prevenção engaja todos os colaboradores, não apenas a equipe de segurança, na proteção do patrimônio.

Varejistas que investem em formação contínua reduzem dependência de soluções reativas e constroem processos sólidos de prevenção, transformando cada funcionário em um guardião da rentabilidade.

Como medir o retorno sobre investimento em segurança no varejo?

A segurança no varejo deve ser avaliada como qualquer outro investimento estratégico, com métricas claras de ROI.

Os principais indicadores incluem:

  • Variação no índice de perdas desconhecidas medem as diferenças de inventário sobre percentual do faturamento antes e depois da implementação.
  • A precisão de inventário compara contagens físicas com registros sistêmicos
  • A redução de incidentes monitora frequência de furtos e fraudes reportadas e tentativas frustradas.
  • O custo por incidente prevenido calcula o investimento em segurança dividido pelo número de furtos e fraudes evitadas.
  • O impacto em vendas mede o aumento de conversão quando produtos antes trancados ficam acessíveis ou o volume médio de transações na frente de caixa com mais agilidade da nos checkouts.

Sistemas integrados, como a plataforma Darwin, fornecem dashboards em tempo real com esses indicadores, permitindo ajustes rápidos e demonstração clara de valor para a alta gestão.

Varejistas que adotam essa abordagem orientada por dados conseguem justificar investimentos e demonstrar como a segurança no varejo protege diretamente a linha de lucro, transformando um centro de custos em motor de rentabilidade.

Quais são as tendências de segurança no varejo para os próximos anos?

O futuro da segurança no varejo está na convergência de múltiplas tecnologias. A inteligência artificial avançada permitirá análise preditiva de comportamento, identificando ameaças antes que furtos ocorram. A integração omnichannel conectará dados de lojas físicas e e-commerce para detectar fraudes sofisticadas. O RFID em escala substituirá códigos de barras, permitindo rastreamento individual de produtos e inventários em tempo real.

A automação de resposta acionará protocolos automaticamente quando ameaças forem detectadas, enquanto a análise de dados em nuvem processará informações de múltiplas lojas simultaneamente para identificar padrões de crime organizado. Parcerias com autoridades facilitarão compartilhamento de informações sobre quadrilhas e reincidentes.

Varejistas que anteciparem essas tendências ganharão vantagem competitiva significativa.

Como estruturar um plano de segurança no varejo para 2026?

Implementar segurança no varejo eficaz exige planejamento estratégico estruturado. O diagnóstico inicial deve mapear zonas de risco através de análise de dados históricos de perdas, identificar vulnerabilidades no layout atual e avaliar eficácia dos sistemas existentes. A definição de prioridades classifica produtos por risco e valor, estabelece metas de redução de perdas e aloca orçamento baseado em ROI esperado.

A seleção de tecnologia deve priorizar sistemas integrados que conectem múltiplas fontes de dados, escolher fornecedores com histórico comprovado e expertise em varejo, e garantir escalabilidade para crescimento futuro.

O monitoramento contínuo acompanha KPIs em tempo real, realiza auditorias regulares de eficácia e mantém equipes treinadas em novas tecnologias. Essa abordagem sistemática transforma segurança de reativa para proativa, protegendo margens e criando vantagem competitiva sustentável.

Conclusão: segurança no varejo deve ser prioridade em 2026

A segurança no varejo não é mais um tema que pode ser negligenciado ou tratado apenas como custo operacional. Os dados da NRF e da ABRAPPE demonstram que perdas crescentes ameaçam diretamente a rentabilidade e sustentabilidade do setor.

Varejistas líderes já compreenderam que investir em tecnologia integrada, capacitação de equipes e processos estruturados não é despesa, mas proteção essencial de margens de lucro.

Para 2026, o desafio está claro: colocar prevenção de perdas no centro da estratégia de negócio, adotar tecnologias maduras como EAS, CFTV inteligente e plataformas de gestão unificada como a Plataforma Darwin, e construir uma cultura organizacional onde cada colaborador atua na proteção do patrimônio.

O tema é sensível, mas urgente. Varejistas que agirem rápido ganharão vantagem competitiva significativa sobre aqueles que continuarem reativos.