Toda vez que o Festival APAS Show chega ao fim, eu saio com a sensação de que o varejo brasileiro tem muito mais força do que os noticiários costumam mostrar. Este ano não foi diferente. Durante o podcast PDV, conversamos com Carlos Correa, diretor-geral da APAS, sobre os resultados da edição 2026, os desafios do setor e as transformações que já estão moldando o futuro dos supermercados.
Mais do que uma feira de negócios, a APAS Show se consolidou como um espaço onde tecnologia, gestão, comportamento do consumidor e inovação se encontram. E os números desta edição ajudam a explicar por quê.
Quais foram os grandes destaques da APAS Show 2026?
A edição de 2026 reuniu 152 mil visitantes, 900 estandes e representantes de 24 países, consolidando o evento como um dos maiores encontros do varejo mundial.
Mas um dos pontos mais interessantes da conversa foi a mudança de perspectiva sobre a dimensão do evento. Carlos revelou que a comunicação da APAS Show 2027 deve destacar não apenas os expositores, mas também as milhares de marcas representadas dentro dos estandes.
Segundo ele, a expectativa é comunicar a presença de cerca de 5 mil marcas, refletindo melhor a diversidade de soluções, produtos e serviços apresentados ao mercado.
Outro marco importante foi o reconhecimento da APAS Show como evento estratégico para a cidade de São Paulo, ao lado de grandes acontecimentos que movimentam turismo, hotelaria, gastronomia e negócios.
"O sucesso do evento só é explicado pelo amor que o setor tem pelo Festival APAS Show." — Carlos Correa
Por que a APAS Show se tornou um hub de tecnologia e negócios?
Uma das reflexões mais relevantes da entrevista foi sobre o significado da geração de negócios dentro da APAS Show.
Para Carlos, negócio não é apenas a venda fechada durante o evento. É também relacionamento, construção de marca, acesso a novos parceiros e troca de conhecimento entre profissionais que influenciam diretamente os rumos do setor.
"O melhor lugar para você abrir a mente e fechar negócios." — Carlos Correa
Essa visão ajuda a explicar o crescimento contínuo da presença de empresas de tecnologia no evento.
Hoje, os supermercados operam estruturas cada vez mais complexas, que exigem integração entre eficiência operacional, experiência do consumidor, prevenção de perdas e tomada de decisão baseada em dados.
Por isso, soluções voltadas para automação, monitoramento, inteligência operacional, gestão de processos e análise de dados ganharam protagonismo nos corredores da feira.
A tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo. Em muitos casos, tornou-se infraestrutura essencial para garantir produtividade, rentabilidade e qualidade na operação.
Qual é o novo cenário do varejo supermercadista?
Outro tema recorrente na conversa foi a velocidade com que o comportamento do consumidor está transformando os supermercados.
Carlos citou como exemplo o crescimento das categorias de produtos saudáveis e suplementos, que há poucos anos ocupavam espaços limitados nas lojas e hoje fazem parte da estratégia de muitos varejistas.
O aprendizado é claro: o consumidor muda rapidamente e o varejo precisa acompanhar essa evolução.
Novos hábitos alimentares, digitalização, marketplaces, e-commerce e preocupações crescentes com saúde e bem-estar estão alterando o mix de produtos e a forma como as lojas se relacionam com seus clientes.
É justamente desse contexto que nasce o conceito escolhido para a APAS Show 2027: "Somos os corredores da mudança."
A frase resume bem o papel do supermercado moderno: um ambiente onde as mudanças de comportamento se tornam visíveis primeiro e onde os varejistas precisam agir rapidamente para se manter relevantes.
Por que pessoas continuam sendo um dos maiores desafios do varejo?
Embora a tecnologia tenha sido um dos temas centrais da APAS Show, o congresso Update-se trouxe um assunto igualmente importante: pessoas.
Com o tema "Alma supermercadista: paixão que transforma o varejo", o congresso destacou a importância da liderança, da cultura organizacional e do desenvolvimento das equipes.
O debate faz sentido diante da realidade atual do setor. Segundo Carlos, o varejo supermercadista paulista possui cerca de 35 mil vagas abertas, um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas atualmente.
Mais do que uma questão salarial, ele acredita que o mercado está diante de uma mudança profunda na relação das pessoas com o trabalho. Flexibilidade, propósito, reconhecimento e qualidade de vida passaram a ter peso cada vez maior nas decisões profissionais.
Nesse cenário, o papel da liderança ganha ainda mais relevância.
"Quando você consegue falar e fazer a mesma coisa, você ganha a confiança e o engajamento dos seus colaboradores." — Carlos Correa
Para o executivo, empresas que conseguem construir uma cultura forte e lideranças capazes de inspirar suas equipes terão vantagem competitiva não apenas para atrair talentos, mas também para reter profissionais em um mercado cada vez mais disputado.
O que esperar da APAS Show 2027?
Mesmo antes do encerramento da edição 2026, a equipe da APAS já trabalhava na construção do próximo festival.
A proposta para 2027 reforça a ideia de que o varejo precisa antecipar movimentos e não apenas reagir às mudanças.
O conceito "Corredores da Mudança" reflete justamente esse papel do supermercado como um observador privilegiado das transformações sociais, econômicas e de consumo que impactam diretamente o mercado.
Mais do que apresentar produtos, a APAS Show busca criar um ambiente capaz de antecipar tendências e ajudar varejistas a se prepararem para o que vem pela frente.
Conclusão: 3 sinais que o varejo não pode ignorar
A conversa com Carlos Correa deixou três mensagens claras para os varejistas.
A primeira é que a APAS Show se consolidou como um dos principais ambientes de negócios, inovação e relacionamento do setor, reunindo decisores e tendências que moldam o futuro do varejo.
A segunda é que tecnologia deixou de ser diferencial para se tornar infraestrutura essencial. Soluções voltadas à eficiência operacional, prevenção de perdas e tomada de decisão baseada em dados ganham cada vez mais espaço nas estratégias dos supermercadistas.
Por fim, mesmo diante de tanta transformação tecnológica, o fator humano continua decisivo. Atrair, desenvolver e engajar pessoas segue sendo um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades para o setor.
Os varejistas que conseguirem equilibrar tecnologia, eficiência operacional e liderança estarão mais preparados para antecipar mudanças e crescer de forma sustentável nos próximos anos.



