Chegar ao episódio 150 do Por Dentro do Varejo já seria motivo de celebração. Mas quando a data coincide com as vésperas da 40ª edição da APAS Show, o maior festival supermercadista do mundo, a responsabilidade de entregar um programa à altura aumenta consideravelmente. E eu não poderia ter escolhido companhia melhor para essa conversa.
Neste episódio especial, recebi dois nomes que estão nos bastidores da construção do Congresso da APAS Show 2026: Artur Motta, Consultor e Professor de Inteligências de Futuros em Varejo e Consumo, e Maurício Morgado, consultor e professor especializado em varejo e serviços. Juntos, eles abriram os bastidores do evento, anteciparam os temas que vão dominar os auditórios e trouxeram reflexões que todo gestor varejista precisa ouvir antes de chegar ao Expo Center Norte no dia 18 de maio.
O que surgiu dessa conversa foi muito mais do que uma prévia do congresso. Foi um diagnóstico preciso do momento do varejo brasileiro, e um mapa para quem quer chegar à APAS Show um passo à frente da concorrência.
Por que a paixão pelo varejo é um ativo estratégico, não apenas um sentimento?
Um dos temas centrais do Congresso deste ano é o que Artur Motta chamou de "paixão que transforma". À primeira vista, pode parecer um conceito etéreo demais para um setor movido por margens, giro de estoque e eficiência operacional. Mas ao longo da nossa conversa, ficou claro que essa paixão tem raízes muito concretas.
Artur me lembrou que o supermercado está presente nos momentos mais marcantes da vida das pessoas, desde a compra da ceia de fim de ano até aquele bolinho de chuva feito na infância. Essa presença cotidiana cria um vínculo emocional que poucos setores conseguem replicar. E para os gestores, esse vínculo é ainda mais intenso.
"O varejo é vivo, o varejo é dia a dia. A coisa mais agradável do que uma loja cheia? Essa é a paixão, é viver essa energia, essa intensidade." — Artur Motta
Não por acaso, os auditórios do Congresso foram renomeados para refletir essa temática. "Gente que Vibra" substitui o antigo auditório de pessoas. "Execução Harmônica", "Ritmo de Vendas", "Inovação Vibrante" e "Paixão pelo Cliente" compõem uma grade que une técnica e emoção de forma deliberada. Para quem trabalha com varejo há anos, essa linguagem ressoa imediatamente, porque qualquer um que já pisou em uma loja movimentada sabe exatamente do que estamos falando.
Como o novo líder varejista deve equilibrar inconformismo e preparo de sucessores?
Se tem um tema que gerou a conversa mais acalorada do episódio, foi o perfil da liderança no varejo contemporâneo. Pedi para Artur e Maurício definirem, cada um, a característica mais importante do líder varejista de hoje. As respostas foram complementares e igualmente provocadoras.
Artur trouxe o conceito de inconformismo — e foi além do que eu esperava. Para ele, o líder que se contenta em fazer bem o que já faz está, na prática, ficando para trás. O varejo que adotou self-checkout, que implementou o Pix entre os primeiros, que experimenta reconhecimento facial no pagamento, não chegou a esse ponto por acidente. Chegou porque havia líderes dispostos a olhar para o que ainda não existe.
"O futuro só começa amanhã no calendário. Ele já começou. Se você, como líder, está vivendo ainda o presente, você, de certa forma, já está atrasado." — Artur Motta
Já Maurício trouxe uma perspectiva igualmente essencial: a capacidade de preparar sucessores. Ele apontou que a mentalidade do "eu que mando aqui" é não apenas ultrapassada, mas operacionalmente inviável em um setor que exige tantas competências simultâneas. O líder que forma sua equipe, que cria cultura e que consegue ceder espaço para quem treinou é o que, paradoxalmente, mais cresce.
"O líder que consegue criar uma visão, uma cultura que integre as pessoas em direção a um propósito — esse é o líder que vai poder crescer. Porque quando ele cede o espaço para alguém que treinou, as premissas permanecem." — Maurício Morgado
O Congresso vai aprofundar esse debate em dois painéis dedicados à liderança, incluindo um sobre o novo perfil do líder supermercadista com representantes de associações de diferentes estados, uma abrangência nacional que reconhece as particularidades culturais do Brasil.
Qual é o papel da inteligência artificial e da tecnologia invisível no varejo de hoje?
A tecnologia foi outro eixo central da nossa conversa, e o recado que Artur trouxe do Congresso é um dos mais relevantes para gestores que ainda estão tentando entender onde a IA se encaixa na operação do dia a dia.
Um dos palestrantes do auditório de inovação antecipou ao Artur uma frase que ficou gravada na conversa: "a boa tecnologia é aquela que é visível no resultado e invisível na experiência". Ou seja, o cliente não precisa perceber que está interagindo com inteligência artificial, mas os resultados dessa interação precisam aparecer nos números.
Esse princípio dialoga diretamente com o que vemos na prática do varejo moderno. A hiperpersonalização, por exemplo, é um termo que pode soar complexo, mas que se materializa de forma simples nos programas de fidelidade e nos CRMs dos supermercados. Artur fez uma observação que vale ser registrada: o supermercado que conhecia o cliente pelo nome e tinha a "cadernetinha" nunca deixou de existir, ele apenas ganhou escala tecnológica.
Essa visão está alinhada com o que empresas como a Inwave desenvolvem para o varejo: soluções que atuam de forma integrada na operação, conectando dados, câmeras e processos de loja em tempo real, sem criar atrito para o cliente, mas gerando visibilidade total para o gestor. Tecnologia que aparece no resultado, não no caminho.
O Congresso também vai dedicar um painel inteiro à criação de áreas de inovação dentro de supermercados que precisam, ao mesmo tempo, entregar vendas todos os dias. Como Artur resumiu com precisão: "quem tem a barriga no balcão sabe: venda perdida não volta."
Como a gestão de pessoas e o apagão de talentos serão tratados na APAS Show?
O chamado "apagão de mão de obra" no varejo é uma dor real e crescente. Maurício confirmou que o tema ganhou um auditório inteiro no Congresso (o "Gente que Vibra" ) estruturado em três dias com focos distintos e progressivos.
O primeiro dia é dedicado inteiramente à liderança: como motivar, engajar e criar cultura. O segundo trata da atração: primeiro emprego, diversidade, oportunidades. O terceiro fecha o ciclo com retenção: remuneração, reconhecimento e motivação. Uma estrutura que reconhece que o problema não tem uma única causa e, portanto, não tem uma única solução.
"A gente tem um auditório inteiro que vai falar sobre atração e retenção de pessoas. O primeiro dia está 100% focado em falar sobre liderança — como o líder motiva, como o líder engaja, como o líder cria cultura." — Maurício Morgado
Para quem chega à APAS Show com essa dor específica, a programação foi desenhada para oferecer tanto o diagnóstico quanto caminhos práticos, com cases reais de redes que já estão navegando esse desafio.
Quer ir além deste resumo? Ouça o episódio completo.
Tudo o que trouxe aqui é apenas uma fração do que Artur Motta e Maurício Morgado compartilharam neste episódio 150 do PDV. Se você vai à APAS Show, ouvir este episódio antes de entrar no Expo Center Norte é o melhor aquecimento que você pode fazer. Se ainda não vai, talvez ele mude isso.
🎧 Ouça o episódio 150 do Por Dentro do Varejo agora mesmo.
Conclusão: 3 aprendizados práticos para levar desta conversa
- Inconformismo é uma competência de gestão. Fazer benchmarking é olhar para o que já existe. Liderar com inconformismo é se preparar para o que ainda não chegou, mas já está a caminho. O líder que espera o futuro aparecer no calendário já está atrasado.
- Tecnologia precisa aparecer no resultado, não na experiência. A IA e as ferramentas digitais mais eficazes no varejo são aquelas que o cliente nem percebe , mas que o gestor enxerga claramente nos indicadores de eficiência, personalização e redução de perdas.
- Pessoas continuam sendo o ativo mais estratégico do varejo. Atrair, engajar e reter talentos exige uma abordagem estruturada , e começa pela qualidade da liderança. O gestor que forma sucessores e cria cultura é o que garante que o negócio cresça além dos seus próprios limites.
A APAS Show começa dia 18. Chegue preparado.



