O mais recente levantamento sobre o índice de perdas no varejo trouxe um alerta importante para todo o setor: as perdas voltaram a crescer e continuam consumindo uma parcela significativa dos resultados das empresas. A notícia foi tema de um artigo que escrevi para Varejo S.A., e reforça uma preocupação que acompanho diariamente ao lado de redes varejistas de diferentes portes.

Mais do que um indicador financeiro, o índice de perdas reflete o nível de maturidade operacional de uma empresa. Quando ele cresce, normalmente revela processos vulneráveis, baixa visibilidade da operação e dificuldade para agir antes que os problemas se transformem em prejuízo.

Neste artigo, quero aprofundar essa reflexão e discutir por que reduzir perdas deixou de ser apenas uma questão de fiscalização para se tornar um desafio estratégico de gestão.

Por que o índice de perdas no varejo continua aumentando?

Embora o furto continue sendo uma das principais preocupações do varejo, ele representa apenas uma parte do problema.

As perdas são resultado da combinação de diversos fatores, como falhas operacionais, erros de processo, desperdícios, rupturas, fraudes internas e externas, problemas no recebimento de mercadorias e inconsistências nas operações de checkout.

Ao mesmo tempo, o varejo vive um cenário cada vez mais complexo. Redes crescem rapidamente, operam dezenas ou centenas de lojas, enfrentam escassez de mão de obra e precisam manter a experiência do cliente mesmo com equipes mais enxutas.

Nesse contexto, depender exclusivamente de controles manuais torna-se cada vez menos eficiente.

Quanto maior a operação, maior também a dificuldade de identificar rapidamente onde as perdas estão acontecendo e, principalmente, agir antes que elas se consolidem.

O verdadeiro desafio não é descobrir onde houve perda no fechamento do mês. É conseguir identificar o desvio enquanto ainda existe oportunidade de evitá-lo.

O que mudou na forma de prevenir perdas?

Durante muitos anos, a prevenção de perdas foi construída sobre auditorias presenciais, conferências periódicas e análises realizadas depois que o problema já havia ocorrido.

Esse modelo continua importante, mas deixou de ser suficiente.

Hoje, grande parte das operações gera um enorme volume de dados e imagens diariamente. A diferença está na capacidade de transformar essas informações em ações imediatas.

A prevenção passa a ser muito mais preventiva do que investigativa.

Em vez de revisar milhares de eventos posteriormente, as equipes conseguem direcionar sua atenção apenas para situações que realmente apresentam risco, reduzindo o tempo gasto em análises e aumentando significativamente a eficiência operacional.

Essa mudança representa uma evolução importante: sair de uma lógica baseada apenas em registrar ocorrências para outra focada em antecipar riscos.

Como a tecnologia ajuda a reduzir o índice de perdas no varejo?

Quando falamos em tecnologia, não estamos tratando apenas de automatizar processos.

O maior ganho está na capacidade de monitorar grande volume de eventos simultaneamente, identificar comportamentos fora do padrão e gerar alertas em tempo real para que a operação possa agir imediatamente.

É justamente nessa evolução que soluções baseadas em inteligência artificial vêm ganhando espaço. Plataformas como o Darwin, da Inwave, analisam continuamente processos operacionais, identificam inconsistências e direcionam a atenção das equipes para eventos que realmente merecem intervenção, permitindo que a prevenção aconteça antes que a perda seja consolidada.

Na prática, isso significa uma mudança importante na rotina das equipes.

Os profissionais deixam de gastar grande parte do tempo procurando problemas para concentrar seus esforços na tomada de decisão e na resolução dos casos mais relevantes.

Prevenir perdas é fortalecer toda a operação

Existe um equívoco comum em associar prevenção de perdas apenas à redução de furtos.

Na realidade, operações mais eficientes costumam apresentar benefícios muito mais amplos.

Processos padronizados reduzem erros, melhoram o atendimento ao cliente, aumentam a produtividade das equipes e fornecem informações mais confiáveis para a gestão.

Além disso, quanto mais cedo uma inconsistência é identificada, menor tende a ser seu impacto financeiro.

Prevenir perdas, portanto, é fortalecer a operação como um todo. Isso envolve toda a cadeia de abastecimento, desde o cadastro de produtos, passando pelo recebimento de mercadorias, até a gestão de estoque, garantindo que cada etapa contribua para a precisão das informações e a saúde do negócio.

É por isso que acompanhar o índice de perdas não deve servir apenas para medir resultados passados, mas principalmente para orientar decisões que tornem a operação mais eficiente e resiliente.

Conclusão: a prevenção de perdas exige uma nova forma de agir

O aumento do índice de perdas no varejo reforça uma realidade que dificilmente será revertida apenas com mais auditorias ou mais fiscalização.

As operações estão mais complexas, produzem muito mais informações e exigem respostas cada vez mais rápidas.

Na minha visão, a evolução da prevenção de perdas passa por combinar pessoas, processos e tecnologia de forma inteligente. Não para substituir a experiência das equipes, mas para ampliar sua capacidade de enxergar riscos e agir no momento certo.

Quanto mais cedo o varejo conseguir transformar dados em decisões, menor será o espaço para que pequenas falhas se tornem grandes prejuízos.